fbpx

Aprenda os cuidados necessários com descarte de lixo clínico

Independentemente do tipo de assistência que prestam, todos os estabelecimentos de saúde têm algo em comum, a geração diária de lixo clínico. Nesse sentido, o descarte de resíduos é uma prática importante, que ainda desperta muitas dúvidas nos profissionais do setor.

Hospitais, centros de saúde, clínicas e laboratórios de pesquisa produzem diferentes resíduos de saúde, que devem todos ser descartados de forma correta. Para isso, os estabelecimentos devem identificar, classificar e separar o resíduo para garantir a segurança na assistência prestada aos pacientes.

Afinal, como fazer o descarte de resíduos do serviço de saúde de uma forma correta? Se você deseja que a sua clínica esteja regularizada, vamos ajudar! Continue a leitura deste post e saiba tudo sobre o descarte de resíduos do serviço de saúde!

O descarte dos resíduos dos serviços de saúde

De fato, esse é um assunto de extrema importância para a saúde pública. Afinal, o correto descarte de lixo — também chamado de resíduos de serviços de saúde (RSS) — permite reduzir os riscos que eles representam para a saúde dos seres vivos e do meio ambiente.

Além disso, nesse contexto, os trabalhadores de saúde são os que estão expostos a mais riscos relacionados ao lixo clínico. São eles:

  • risco biológico: probabilidade de acontecer algum prejuízo relacionado a um agente biológico (vírus, bactéria, fungo etc.);
  • risco físico: exposição do profissional a agentes físicos (temperatura extrema, radiação, ruído, vibração);
  • risco químico: exposição do profissional a agentes químicos (poeira, medicações tóxicas, gases, vapores).

O gerenciamento — a geração, o armazenamento e o descarte — do lixo clínico é regulamentado pela Agência Nacional de Saúde (ANVISA), e deve ser seguido por todos os estabelecimentos relacionados à saúde humana ou animal, mesmo os que realizam atendimento domiciliar.

Isso inclui não só hospitais e clínicas, mas também necrotérios, unidades de ensino e pesquisa em saúde, farmácias, unidades de atendimento móvel, serviços de acupuntura, serviços de tatuagem, entre outros.

Diante disso, as unidades de saúde têm a responsabilidade essencial no descarte de resíduos que geram de forma correta, para proteger os profissionais de saúde e garantir que materiais indevidos não entrem em contato com a natureza.

A classificação dos resíduos de saúde

Os resíduos hospitalares são categorizados em diferentes tipos. O seu armazenamento e descarte devem ser feitos de acordo com o risco que geram. Assim, para entender os cuidados necessários, primeiro, é preciso conhecer os grupos desses resíduos.

Nesse contexto, a classificação de resíduos do serviço de saúde é importante para direcionar a destinação final adequada. Ou seja, é uma forma para evitar acidentes e contaminações, ainda mais por se tratar de resíduos infectantes e com potencial para causar doenças.

Veja como é a classificação de resíduos de acordo com a ANVISA e o Conama!

Grupo A – Resíduos biológicos

Todo lixo com a possibilidade de presença de agentes biológicos, como vírus, bactéria ou fungos, que apresentam risco de infecção. Isso inclui as culturas de microrganismos, vacinas com bactéria ou vírus atenuado, qualquer material com fluido orgânico, órgãos ou suas partes, cateteres ou outros dispositivos venosos.

Os exemplos de resíduos do grupo A são os seguintes:

  • sondas;
  • bolsas de transfusão;
  • materiais sujos de sangue;
  • gaze, algodão com sangue;
  • luvas, máscaras e outros EPIs contaminados.

Grupo B – Resíduos químicos

É o lixo que contém substâncias químicas que apresentam risco à saúde relacionado à inflamabilidade, corrosividade, reatividade e toxicidade. Isso inclui resíduos em estado sólido ou líquido, como antibióticos, quimioterápicos, resíduos de produtos de limpeza, reagentes utilizados em laboratório.

Os exemplos mais comuns de resíduos do grupo B são:

  • raio-X;
  • lâmpadas;
  • pilhas e baterias;
  • medicamentos;
  • efluentes gerados nos atendimentos.

Grupo C – Radioativos

Grosso modo, qualquer material radioativo utilizado em laboratórios de análises clínicas, serviços de medicina nuclear e radioterapia. É um grupo que exige atenção e tratamento especial, pois são resíduos que provocam doenças graves, como o câncer.

Os resíduos compreendidos neste grupo são:

  • resíduos de radioterapia;
  • compostos de equipamentos de raio-X
  • resíduos de análises clínicas.

Grupo D – Resíduo comum

Lixo comum produzido na unidade de saúde, que não apresenta risco biológico, químico ou radioativo. Trata-se de um tipo de resíduo mais simples e que não oferece riscos iminentes, no entanto, é preciso garantir que não esteja contaminado para ter o descarte correto.

Os exemplos desses resíduos são:

  •  papel higiênico;
  • sobra de alimentos;
  • equipos de soro;
  • resíduos de gesso;
  • sujeira das áreas administrativas;
  • resíduos que não apresentam riscos químicos ou biológicos.

Grupo E – Perfurocortantes

Por fim, esses são os lixos que contêm materiais perfurocortantes ou escarificantes, que oferecem alto risco de infecção e acidentes. Dessa forma, os perfurocortantes devem ter um acondicionamento especial, que ofereça segurança para o transporte e destinação final.

Os resíduos dessa categoria são:

  • lâminas de bisturi;
  • agulhas;
  • seringas agulhadas
  • ampolas de vidro;
  • lancetas;
  • vidros quebrados;
  • tubos capilares.

Os cuidados necessários com o manuseio dos resíduos

Antes de passarmos pelos cuidados específicos, veremos quais são os cuidados gerais a se tomar no descarte de resíduos clínicos. Ou seja, de uma forma geral os gestores da clínica devem ter uma gestão de resíduos bem-definida, com procedimentos claros a todos os funcionários.

Os seguintes fatores que devem ser seguidos em todos os estabelecimentos, independentemente do tipo de lixo:

  • buscar minimizar ao máximo a geração dos resíduos de saúde, para contribuir com a manutenção do meio ambiente e reduzir os custos com o gerenciamento dos resíduos;
  • garantir o manuseio seguro para todos os profissionais que participam da coleta, do transporte e do tratamento dos resíduos, com o uso de equipamentos de proteção individual (EPI);
  • garantir que os trabalhadores sejam vacinados de acordo com o Programa Nacional de Imunização;
  • dividir o lixo em seus grupos de acordo com suas características no local que for gerado;
  • identificar os recipientes de acondicionamento do lixo de acordo com o tipo de lixo armazenado;
  • ter em mente que a unidade de saúde tem a responsabilidade de treinar os profissionais para o descarte dos resíduos.

Dessa forma, os cuidados gerais com o descarte de resíduos de serviços de saúde são fundamentais para garantir a segurança e evitar contratempos. Além de promover ambientes limpos e agradáveis, fator essencial para a experiência dos pacientes.

Os cuidados específicos para cada grupo de resíduos

A classificação de resíduos é primordial para garantir a destinação final correta para cada tipo, considerando suas características físicas e químicas. Sendo assim, é um fator essencial para a proteção do meio ambiente, sociedade e dos trabalhadores que atuam no manuseio de resíduos.

Nesse contexto, cada grupo de resíduo deve ser tratado de forma distinta, de acordo com as determinações legais. Principalmente em relação à estrutura básica, armazenamento temporário, transporte e destinação final correta e segura.

Veja quais os cuidados essenciais para lidar com o descarte de resíduos de cada grupo!

Grupo A

Os integrantes desse grupo devem ser acondicionados em saco plástico de cor diferenciada, geralmente branca ou vermelha, em lixeira de material resistente. Além disso, alguns materiais do grupo A que apresentam maior risco de contaminação precisam ainda passar por um processo de tratamento na sua unidade de geração antes de serem removidos de lá.

Grupo B

Os resíduos químicos devem ser descartados em recipientes sólidos que abriguem todo o seu conteúdo, para, só depois, serem desprezados. Também é preciso verificar a compatibilidade das substâncias, para que dois líquidos incompatíveis não sejam armazenados juntos.

Grupo C

As atividades que envolvem os resíduos radioativos devem estar de acordo com a Comissão Nacional de Energia Nuclear – CNEN. Nesse sentido, um profissional específico deve ser escalado para gerenciar todo o processamento desses resíduos.

Além disso, eles devem ser descartados em recipientes compatíveis com o tipo de substância e com a identificação de resíduo radioativo que chame a atenção. Portanto, é preciso ter atenção redobrada para lidar com os resíduos radioativos, devido ao alto potencial de risco.

Grupo D

Os resíduos do grupo D devem ser divididos, no momento de sua geração, entre recicláveis — em lixeiras de cores diferentes, papel, plástico, metal, vidro e orgânico — e não recicláveis (geralmente, em lixeira cinza). Em ambos os casos, os sacos e recipientes devem ser identificados como “resíduo comum”.

Grupo E

Por fim, eles devem ser descartados em recipientes rígidos resistentes a furos, rupturas ou vazamentos, com tampa e identificados com o símbolo internacional de risco biológico, de forma que qualquer pessoa ou funcionário possa identificar e reconhecer os riscos.

Seringas devem ser descartadas com as agulhas, que não podem ser reencapadas, e os recipientes devem ser descartados quando atingirem dois terços de sua capacidade, para evitar sobrecargas e, consequentemente, danificar o recipiente.

Enfim, como vimos, o descarte de resíduos clínicos dentro das unidades de saúde exige cuidados especiais para garantir a saúde de pacientes e trabalhadores, e a preservação do meio ambiente, por isso, deve ser uma prioridade para a clínica.

Dicas para fazer o descarte correto de resíduos

A gestão de resíduos no serviço de saúde é uma questão relevante devido ao potencial de contaminação e transmissão de doenças. Dessa forma, é imprescindível adotar procedimentos adequados em todas as etapas do descarte de resíduos gerados na clínica.

Em outras palavras, os gestores devem regularizar todo o processo de manuseio dos resíduos, considerando as melhores práticas para cada grupo. Ou seja, desde os recipientes e locais de armazenamento interno, transporte regularizado e destinação final correta.

Veja dicas para garantir a destinação de resíduos adequados na sua clínica!

Conscientize e treine os colaboradores

O primeiro passo para desenvolver uma boa gestão de resíduos é a capacitação de toda a equipe, principalmente dos responsáveis pelo manuseio. Por isso, defina procedimentos internos e treine os funcionários para garantir que os resíduos serão separados corretamente de acordo com o grupo.

Considere as práticas de biossegurança

Além de treinar os funcionários, é essencial considerar as práticas de biossegurança, entendendo os motivos que demonstram a importância do descarte correto. É preciso mudar a cultura e compreender que a gestão de resíduos é importante para a preservação ambiental, da saúde dos funcionários e pacientes.

Use sacos plásticos de cores diferentes

Para ter facilidade e evitar misturar resíduos de diferentes grupos no mesmo recipiente, é indispensável usar sacos plásticos de cores distintas — além de manter a identificação visual nas lixeiras e, para isso, você pode seguir as diretrizes da resolução CONAMA 275.

Faça o tratamento dos materiais com risco de contaminação

Os materiais com risco de contaminação, ou seja, resíduos dos grupos A, B, C e E, devem ser tratados de forma especial. Esses resíduos devem atender requisitos específicos para evitar acidentes e garantir a destinação adequada, por isso, tenha atenção aos seguintes aspectos:

  • defina recipientes de armazenamento específicos;
  • defina e treine funcionários específicos para lidar com esses resíduos;
  • evite misturar esses resíduos com outros;
  • mantenha o local de armazenamento temporário seguro e limitado.

Regularize a documentação técnica

Cada unidade de saúde precisa criar seu PGRSS, Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde — documento que apresenta dados da gestão de resíduos na clínica, especificando a coleta, o transporte e a disposição final de todos os resíduos gerados no seu serviço.

Portanto, ter esse documento atualizado é uma exigência legal em muitos municípios, sendo indispensável para a regularidade da clínica. Dessa forma, documentar e organizar a gestão e descarte de resíduos é importante para evitar transtornos e multas ambientais.

A destinação final dos resíduos de saúde

A gestão de resíduos de saúde compreende diversas etapas, como a classificação, armazenamento, transporte e destino final. Para garantir a regularidade, a clínica deve garantir que todo o processo aconteça de acordo com as leis, desde a geração até a destinação final.

Nesse contexto, a responsabilidade de uma clínica não se limita apenas a geração e transporte, pois também deve obrigatoriamente garantir o destino final correto. Sendo assim, é essencial conhecer todo o processo e direcionar os resíduos para a destinação adequada, considerando o grupo que pertencem.

Os principais tipos de destinação final para o descarte de reísduos são:

  • autoclave: processo de esterilização, utilizado para resíduos infectantes;
  • incineração: processo de queima dos resíduos, considerada ambientalmente inadequada devido a produção de gases nocivos;
  • aterro sanitário: recebe resíduos comuns e não perigosos, os de serviço de saúde são aceitos após tratamento.

A importância da destinação correta dos resíduos

Toda clínica que deseja oferecer assistências de qualidade para o tratamento dos pacientes precisa considerar diversos fatores. Nesse sentido, a gestão dos resíduos é primordial, pois evita riscos severos à saúde dos funcionários, dos pacientes e do meio ambiente.

Além de garantir ambientes mais seguros e saudáveis, a destinação correta dos resíduos gerados nos serviços de saúde contribui para a regularidade legal. Ou seja, é um fator importante para evitar multas e sanções administrativas impostas pelo poder público.

Sendo assim, investir em uma gestão de resíduos eficiente é imprescindível para qualquer clínica, independentemente da especialidade médica. Sobretudo, para ter maior tranquilidade e um bom relacionamento com os órgãos ambientais municipais, estaduais e federais.

Como você percebeu, instituir algumas medidas simples para regularizar o descarte de resíduos no dia a dia da clínica é substancial. Inclusive ajuda a prestar um atendimento seguro e de qualidade aos pacientes, contribuindo para o sucesso.

Gostou do post? Se você deseja ler artigos relevantes e aperfeiçoar seus conhecimentos, não perca tempo e assine nossa newsletter! Receba conteúdos exclusivos diretamente no seu e-mail!